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  • Chico Science: 20 anos sem principal expoente do Manguebeat

    Há 20 anos, o Brasil perdia um de seus artistas mais inovadores: Francisco de Assis França, o Chico Science, teve sua breve e intensa carreira encerrada em um domingo. Era 2 de fevereiro de 1997, quando a vida do músico foi interrompida aos 30 anos de idade em um acidente de carro.

    Copyright - Chico Science

    Foto: Gil Vicente

    O músico encabeçou o movimento Manguebeat, que projetou mundialmente a cena cultural que fervilhava no Recife. Ana Sousa, curadora da Ocupação Chico Science, realizada pelo Itaú Cultural em 2010, considera que o músico deu voz a uma cena musical prestes a explodir.

    “Chico Science foi uma espécie de abre alas, foi o porta-voz desse processo. A relevância dele está no campo das composições e criações, mas é também desse cara que era do palco, que trouxe essa mise-en-scene de novo pra cena pernambucana”,  considera.

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: entrevista com Ana Souza: palco
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    Foto: Acervo Família França

    Há muito o Brasil não via um movimento musical e estético alcançar tamanha projeção, a ponto de o crítico musical Jon Pareles, no jornal norte-americano New York Times, apresentar Science como fundador do movimento de maior impacto na música brasileira desde a Tropicália. O texto é “Chico Science, 30, Brazilian Pop Music Star”, publicado após a morte do músico. 

    “As letras combinam protesto político com imagens visionárias, e Chico Science as performou com exuberância, misturando movimentos de break-dance com a ciranda brasileira, usando um chapéu de palha de pescador tradicional e óculos escuros de um rocker”, descreveu Pareles na edição de 5 de fevereiro de 1997 do jornal.

    Copyright - Chico Science

    Foto: Maria F. Moreno / Paulo André

     

    “Ele era um gênio artista. Acho que para além da questão musical, ele era um performer. Até quando dava entrevista, ele não era o Chico, era o Chico Science... se construía nessa persona e isso exige muita consciência artística”, considera Ana Sousa.

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: entrevista com Ana Sousa: genialidade

    Entre abril de 1994 até o dia do acidente, Science gravou dois discos que alcançaram repercussão mundial, com prensagens nos EUA, Europa e Japão, e realizou duas turnês mundiais à frente da banda Chico Science & Nação Zumbi.

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science

    Divulgação

    “Parece que alguma coisa estava dizendo: 'olha, corre e faz um monte porque não vai durar muito'. A sensação é essa, pela quantidade de coisas que a gente conseguiu fazer. É como se a gente tivesse correndo contra o tempo”, considera Paulo André Pires, empresário da banda.

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: entrevista Paulo André - trajetória

    "Ele era um cara empenhado no sonho dele, nas coisas que queria fazer, tinha uma visão estratégica do trabalho muito boa. Tinha toda uma coisa de pensar o trabalho, a evolução da banda, a música e o contexto social em que o trabalho estava inserido”, lembra a irmã Goretti, com quem Chico morava em um apartamento no Recife.

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: entrevista Goretti França - trabalho

    Auge da carreira: 1996

    Copyright - Chico Science

    Foto: Gil Vicente

    O ano de 1996 projetou Chico Science & Nação Zumbi definitivamente para o mundo após o lançamento do segundo disco, Afrociberdelia. A banda se mudou do Recife para o Rio de Janeiro em dezembro de 1995 para facilitar o contato com o mercado fonográfico.

    “Pra que a gente fizesse mais show, estivesse mais perto e disponível, a gente resolveu mudar pro Rio porque a gravadora era lá também”, lembra o empresário.

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: entrevista com Paulo André - mudança para o Rio

    Confira mais informações sobre o disco Afrociberdelia no especial Chico Science 50 anos:

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science

     

     

     

    Copyright - Chico Science e Jorge du Peixe

    Foto: Maria F. Moreno / Acervo Paulo André

    Os músicos trabalharam no disco até janeiro de 1996. Ainda nesse mês, se apresentaram no festival  Hollywood Rock Brasil, ao lado de nomes como The Cure, Smashing Pumpkins, Supergrass e Page & Plant. O disco Afrociberdelia foi lançado em julho, momento em que a banda seguia para sua segunda turnê internacional, que percorreu sete países da Europa e EUA.

    Chico Science & Nação Zumbi passou por treze cidades e tocou em festivais de música pop entre 11 e 27 de julho daquele ano. Tocou ao lado de nomes como Beck, Nick Cave, Coolio e Ministry. Na Alemanha, se apresentou para 20 mil pessoas em Karlsruhr. 

    Copyright - Chico Science

    Acervo Família França

    A banda participou pela segunda vez do Montreaux Jazz Festival, na Suiça, onde os brasilienses do Paralamas do Sucesso fizeram o show de abertura para os músicos do Recife. O disco “Afrociberdelia” chegou ao 5º lugar na World Music Charts Europa.

    Cansaço

    Ao final de um ano, Chico se sentia cansado com o volume de trabalho e pediu para tirar férias. Foram oito shows em outubro e nove em novembro, quando a banda teve que entregar o apartamento alugado no Rio. O último show com a presença de Science aconteceu no dia 2 de dezembro, no Canecão.

    “Chico estava reclamando de muito trabalho.... essa intensidade, quase um show a cada três dias. Eu falava pra ele: 'cara, vamos parar quando acabar o contrato do apartamento, tu tira férias e volta pro Carnaval'”, lembra o empresário Paulo André.

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: entrevista Paulo André - 1996
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    Foto: Acervo Família França

    Quando voltou ao Recife, Chico passou a dividir um apartamento com a irmã Goretti, que compartilhou com o músico seus últimos meses de vida. Única mulher de quatro filhos, pouco mais velha que Chico - o caçula, Goretti também lembra que o fim de 96 foi de muito cansaço para o músico. 

    “Nessa época, a memória que eu tenho mais forte era de muito cansaço. Cansado mesmo dessa coisa da turnê, do trabalho, do disco... essa coisa toda e queria descansar um pouco. Tanto que ele disse que chegou a desmarcar compromisso porque ele queria umas férias”, lembra.

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: entrevista com Goretti França - cansaço
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    Foto: Acervo Família França

    Após a entrega do apartamento, os músicos tiraram férias de dois meses e Chico seguiu para a Europa. 


    Novas influências e projetos

    Na volta ao Brasil, após o período de descanso, a irmã Goretti lembra de um Chico renovado.

    “Ele voltou refeito, cheio de boas ideias, ouvindo muita bossa nova, muito apaixonado.Tava num momento muito tranquilo e ouvindo Elis Regina e Taiguara, todo apaixonadinho”, lembra. 

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: entrevista com Goretti - volta ao Brasil
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    Foto: Maria F. Moreno / Acervo Paulo André

    Chico também queria um retorno maior do trabalho que, apesar da repercussão, não tocava com frequência nas rádios brasileiras. Um dos projetos era passar um tempo em Nova Iorque para difundir mais o trabalho nos EUA e tentar uma aproximação da Nação Zumbi com o hip hop norte americano.

    “Com essa dificuldade no Brasil de rádio não querer tocar, a ideia da gente era investir internacionalmente. Então a gente já tinha pensado em passar uns dois meses por exemplo em Nova Iorque”, lembra Pires.

    Copyright - Chico Science

    Foto: Maria F. Moreno / Acervo Paulo André

    O contrato de Chico Science & Nação Zumbi com a Sony previa a gravação de três discos. Com dois deles já lançados - Da Lama ao Caos (1994) e Afrociberdelia (1996), o mangueboy também pensava em como tocar sua carreira de forma independente num futuro próximo.

    “Chico pensava em fazer um selo pra lançar também outros artistas, fazer um projeto social - que era o Antromanque. Chico era um cara muito inquieto e a fim de fazer muita coisa."

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: entrevista Paulo André - projetos
    Copyright - Chico Science

    Foto: Acervo Família França

    O dia do acidente

    Science seguia em direção ao Recife onde se apresentaria pela primeira vez em um trio elétrico no bloco na Pancada do Ganzá, do músico e humorista Manoel da Nóbrega, marcado para 20h do dia 3 de fevereiro, na praia de Boa Viagem. Ele chegou a subir no trio elétrico ao lado do humorista uma semana antes em uma prévia para divulgar a apresentação no carnaval. Seria a última vez que Chico se apresentava ao público.

    O Fiat Uno da cor branca que o músico dirigia se chocou contra um poste na rodovia PE-1, divisa entre Olinda e Recife (PE), às 19h30.

    Copyright - Chico Science

    Foto: Gil Vicente

    Um policial militar que estava em um ônibus viu o acidente e desceu para prestar socorro. O músico foi levado ao Hospital da Restauração, mas já chegou sem vida ao local cerca de uma hora e meia após o acidente. 

    “Ele chegou morto, então nem colocaram ele numa maca. Ele estava no chão de uma sala de hospital, todo perfeito, mas com uma longa poça de sangue embaixo da cabeça, porque teve um corte profundo na nuca”, lembra Paulo André.

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: entrevista Paulo André - dia da morte
    Copyright - Chico Science

    Foto: Gil Vicente

    A família do músico acionou a Justiça, após perícia no carro que o cantor conduzia, para constatar que a fivela metálica de segurança se rompeu no impacto com o poste. Em 2007, quando completaram dez anos do acidente, a família do músico recebeu indenização por meio de um acordo com a empresa Fiat.

    Como seria Chico Science hoje?

    A pergunta passou pela cabeça de sua irmã ao encontrar com o músico Siba, conterrâneo e contemporâneo de Chico, no aeroporto em Recife.

    “Ele tava com a barba branca e eu fiquei olhando pra ele e pensando, assim, como seria o rosto de Chico hoje? Aí fiquei tentando achar que cara ele teria. Talvez menos cabelo, a barba grisalha, um pouquinho barrigudo, apesar que ele corria sete quilômetros por dia. Ele era maravilhoso. Eu acho que uma vantagem de morrer cedo é que você fica com a idade que você tinha. Então vamos imaginá-lo um homem no auge da sua maturidade, com toda alegria e leveza que ele tinha aos 30, quando foi embora.”

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: entrevista com Goretti França - encontro com Siba
    Copyright - Chico Science

    Foto: Acervo Família França

    A questão sobre como seria Chico hoje em dia também chegou a Paulo André por meio da pergunta de um jornalista.

    “Ele estaria interagindo em todas as formas de redes sociais possíveis, estaria interagindo com o mundo. Isso facilitaria muito a interação dele com outros artistas porque ele também era muito de trocar ideia, de conhecer outra galera”, imagina o produtor.

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: entrevista Paulo André - como estaria

    Depoimentos

    O Portal EBC perguntou a algumas pessoas que conviveram com Chico Science quais lembranças ou características do músico elas guardam na memória.

    Goretti França

    Copyright - Chico Science

    Foto: Acervo Família França

    “Ele era um cara bem humorado, muito cúmplice, generoso com aquilo que ele sabia, com as ideias e sonhador. Não no sentido de alguém que tá fora do chão, mas de coisas que ele queria realizar. Então ele projetava as coisas, planejava, via, fazia, corria atrás. Uma pessoa encantada pela vida, muito leve, fácil de lidar, curioso.”

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: depoimento de Goretti França

    H.D. Mabuse parceiro de Chico

    Copyright - Chico Science, H.D. Mabuse e Jorge Du Peixe

    Foto: Acervo Família França

     
    “Chico tinha essa capacidade de samplear, uma lógica de composição de sampler, de recombinar elementos que estavam ao redor dele, de uma forma muito perspicaz e muito rápida.”

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: depoimento de Mabuse

    Paulo André

    Copyright - Chico Science e Paulo André

    Foto: Maria F. Moreno / Acervo Paulo André

    “Era um cara inquieto pra caramba, a gente só conseguiu fazer tudo isso porque o Chico era focado no trabalho, era um cara tranquilo. Mas era um cara, por outro lado, bem pé atrás com tudo e todos. Quando botava uma coisa na cabeça que ia fazer, ele fazia".

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: depoimento de Paulo André Pires

    Stela Campos

    Copyright - Stela Campos e Chico Science

    Adriana Fritzen Pereira

    “Ele sempre foi uma pessoa legal, simpático, criativo e muito curioso. Isso é uma coisa que eu sempre achei legal musicalmente falando. Era um cara muito interessado em conhecer as coisas. Um artista muito humilde em aprender, em querer conhecer, em transformar as coisas. Muito esperto de pegar as influências e remoer, transformar aquilo.”

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science: depoimento de Stela Campos

    Chico Science

    "O amor… eu acho que é a maior coisa que o sentimento ganhou, é inexplicável assim… eu acho que é tempo de se falar mais do amor, [...] o amor pela terra, o amor pela vida, o amor por todas as coisas, simples e complexas do universo... o amor está em todo lugar."

    Copyright - Chico Science no Programa Ensaio da TV Cultura em 1996

    Saiba mais sobre a trajetória do músico no especial Chico Science 50 anos:

    Creative Commons - CC BY 3.0 - Chico Science

     

    * Entrevistas realizadas em 2016 por ocasião do cinquentenário de Chico Science

  • Confira o resultado da Mega-Sena deste sábado (14)

    O sorteio 1.894 da Mega-Sena deste sábado (14), em Belém (PA), acumulou! Confira os números sorteados:

    21 31 35 53 54 57

    A estimativa de prêmio do próximo concurso (18) é de R$ 25 milhões.

    Saiba como é calculado o prêmio

    O valor arrecadado com o concurso da Mega-Sena não é totalmente revertido em prêmio para o ganhador. Parte do montante é repassada ao governo federal para investimentos nas áreas de saúde, educação, segurança, cultura e esporte.

    Além disso, há despesas de custeio do concurso, imposto de renda e outros, que fazem com que o prêmio bruto corresponda a 46% da arrecadação. Dessa porcentagem:

    35% são distribuídos entre os acertadores dos 6 números sorteados (sena);

    19% entre os acertadores de 5 números (quina);

    19% entre os acertadores de 4 números (quadra);

    22% ficam acumulados e distribuídos aos acertadores dos 6 números nos concursos de final 0 ou 5.

    5% ficam acumulado para a primeira faixa - sena - do último concurso do ano de final zero ou 5.

    Não havendo acertador em qualquer faixa, o valor acumula para o concurso seguinte, na respectiva faixa de premiação.

    Os prêmios prescrevem 90 dias após a data do sorteio. Após esse prazo, os valores são repassados ao Tesouro Nacional para aplicação no FIES - Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior.
    Confira na tabela abaixo para onde vai a distribuição da arrecadação da Mega-Sena:

    Distribuição da arrecadação da Mega-Sena
    Prêmio Total 51%

    - Fundo Nacional da Cultura 3%

    - Comitê Olímpico Brasileiro 1,7%

    - Prêmio Bruto 46%

    - Imposto de Renda Federal 13,80%

    - Prêmio Líquido 32,20%

     

    Seguridade Social 18,10%

    FIES -Crédito Educativo 7,76%

    Fundo Penitenciário Nacional 3,14%

    Desp. de Custeio e Manut. de Serviços 20%

    - Tarifa de Administração 10%

    - Comissão dos Lotéricos 9%

    - FDL - Fundo Desenv. das Loterias 1%

    Renda Bruta 100%

    Adicional para a Secretaria Nacional de Esportes 4,50%

    Arrecadação Total 104,50%

    * Com informações da Caixa Econômica Federal

     

     

  • Familiares tentam entregar alimentos e roupas a detentos em Manaus

    Mesmo com a suspensão de visitas aos detentos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, familiares formam filas para tentar entregar alimentos e roupas. Agentes da Força Nacional e da PM bloqueiam a estrada que leva ao presídio.

    Confira as fotos de Marcelo Camargo da Agência Brasil:

     

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